{"id":1577,"date":"2026-03-20T10:09:09","date_gmt":"2026-03-20T14:09:09","guid":{"rendered":"https:\/\/sinduscon-rr.org.br\/blog\/?p=1577"},"modified":"2026-03-20T10:09:09","modified_gmt":"2026-03-20T14:09:09","slug":"reducao-da-jornada-pode-elevar-em-ate-15-o-custo-da-mao-de-obra-no-setor-da-construcao-com-impacto-potencial-adicional-de-r-20-bilhoes-ao-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinduscon-rr.org.br\/blog\/reducao-da-jornada-pode-elevar-em-ate-15-o-custo-da-mao-de-obra-no-setor-da-construcao-com-impacto-potencial-adicional-de-r-20-bilhoes-ao-ano\/","title":{"rendered":"Redu\u00e7\u00e3o da jornada pode elevar em at\u00e9 15% o custo da m\u00e3o de obra no setor da constru\u00e7\u00e3o, com impacto potencial adicional de R$ 20 bilh\u00f5es ao ano"},"content":{"rendered":"A redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode elevar em at\u00e9 15% os custos com m\u00e3o de obra na ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o, chegando a R$ 155,6 bilh\u00f5es por ano, ou exigir a contrata\u00e7\u00e3o de 288 mil novos trabalhadores, com custo adicional de R$ 13,5 bilh\u00f5es anuais. \u00c9 o que mostra estudo in\u00e9dito da C\u00e2mara Brasileira da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o (CBIC), que analisa os impactos da proposta em discuss\u00e3o no Congresso Nacional. <br \/><br \/>Elaborado pela economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, com base na Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais (RAIS 2024), o estudo demonstra que a mudan\u00e7a encareceria em 10% o custo da hora trabalhada, elevando a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de R$ 15,01\/hora para R$ 16,51\/hora. O efeito seria mais severo nas micro e pequenas empresas, que respondem por 98,7% dos mais de 300 mil estabelecimentos do setor, e nas constru\u00e7\u00f5es populares, onde a m\u00e3o de obra representa quase 60% do custo \u2014 propor\u00e7\u00e3o que varia entre 41% e 54% nos demais padr\u00f5es.<br \/><br \/>\u201cO estudo corrobora nossa preocupa\u00e7\u00e3o com uma discuss\u00e3o a\u00e7odada sobre mudan\u00e7as na jornada de trabalho no Brasil\u201d, aponta Renato Correia, presidente da CBIC. \u201cTemos apontado a necessidade de avaliar esse tema de forma t\u00e9cnica, considerando dados confi\u00e1veis e quest\u00f5es que far\u00e3o diferen\u00e7a, como baixa a produtividade do trabalhador falta de m\u00e3o de obra. O setor da constru\u00e7\u00e3o j\u00e1 enfrenta dificuldade de contrata\u00e7\u00e3o em diversas regi\u00f5es do pa\u00eds\u201d.<br \/><br \/>O setor da constru\u00e7\u00e3o emprega atualmente cerca de 3 milh\u00f5es de trabalhadores formais e sua cadeia produtiva envolve aproximadamente 13 milh\u00f5es de pessoas, entre fornecedores de materiais, servi\u00e7os, m\u00e1quinas e equipamentos. <br \/><br \/>Redu\u00e7\u00e3o da jornada imp\u00f5e tr\u00eas alternativas<br \/>O estudo divulgado pela CBIC aponta tr\u00eas cen\u00e1rios para compensar a perda de aproximadamente 600 mil horas de trabalho anuais. |O primeiro \u00e9 reduzir o ritmo de atividade do setor da constru\u00e7\u00e3o, sem qualquer reposi\u00e7\u00e3o das horas perdidas. Nesse cen\u00e1rio, o impacto se espalharia por toda a cadeia produtiva, atrasaria obras em andamento, reduziria a oferta de im\u00f3veis e agravaria o d\u00e9ficit habitacional.<br \/><br \/>O segundo alternativa \u00e9 a contrata\u00e7\u00e3o de novos trabalhadores. Para repor as horas perdidas, o setor precisaria admitir 288 mil novos celetistas, sendo 111 mil s\u00f3 na Constru\u00e7\u00e3o de Edif\u00edcios, 98 mil em Servi\u00e7os Especializados e 79 mil em Obras de Infraestrutura. O custo adicional seria de R$ 9,9 bilh\u00f5es por ano, valor que sobe para R$ 13,5 bilh\u00f5es quando inclu\u00eddos os encargos previdenci\u00e1rios e trabalhistas b\u00e1sicos. Com isso, o gasto total do setor com m\u00e3o de obra passaria dos atuais R$ 135,3 bilh\u00f5es para   R$ 148,9 bilh\u00f5es anuais \u2013 uma alta de 10%. Essa sa\u00edda esbarra em uma realidade j\u00e1 conhecida pelo setor: a escassez de m\u00e3o de obra qualificada e n\u00e3o qualificada em um mercado de trabalho que finalizou 2025 com o seu menor \u00edndice de desemprego (5,1%) desde 2012, segundo o IBGE.<br \/><br \/>O terceiro \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de horas extras. Considerando o adicional legal de 50%, o custo extra chegaria a R$ 14,8 bilh\u00f5es por ano, ou R$ 20,3 bilh\u00f5es com encargos trabalhistas b\u00e1sicos. O custo da m\u00e3o de obra no setor subiria, ent\u00e3o, para R$ 155,6 bilh\u00f5es \u2013 um acr\u00e9scimo de 15% sobre o patamar atual.<br \/><br \/>Acima da infla\u00e7\u00e3o<br \/>O setor da constru\u00e7\u00e3o j\u00e1 opera com custos acima da infla\u00e7\u00e3o. O \u00cdndice Nacional de Custos da Constru\u00e7\u00e3o (INCC), da FGV, acumulou alta de 5,81% nos 12 meses encerrados em janeiro de 2026, com a m\u00e3o de obra subindo 8,93% \u2014 enquanto o IPCA, indicador oficial da infla\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds, aumentou 4,44% no mesmo per\u00edodo. H\u00e1 um agravante adicional: o n\u00edvel de atividade do setor ainda est\u00e1 9,43% abaixo do pico de 2014, mesmo ap\u00f3s a recupera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-pandemia.<br \/><br \/>Habita\u00e7\u00e3o popular ser\u00e1 a mais afetada<br \/>Os efeitos tendem a ser maiores na habita\u00e7\u00e3o popular, segmento em que a m\u00e3o de obra representa quase 60% do custo das obras. Segundo Ieda Vasconcelos, o aumento nos custos pode pressionar o pre\u00e7o final dos im\u00f3veis e dificultar o acesso \u00e0 moradia, especialmente para fam\u00edlias de baixa renda e da classe m\u00e9dia. Al\u00e9m do impacto direto nas obras, o estudo ressalta que a constru\u00e7\u00e3o possui forte efeito multiplicador na economia. &#8220;\u00c9 fundamental que essa discuss\u00e3o ocorra com base em dados e levando em conta seus impactos econ\u00f4micos e sociais&#8221;, conclui a economista.<br \/><br \/>Por Ag\u00eancia CBIC","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode elevar em at\u00e9 15% os custos com m\u00e3o de obra na ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o, chegando a R$ 155,6 bilh\u00f5es por ano, ou exigir a contrata\u00e7\u00e3o de 288 mil novos trabalhadores, com custo adicional de R$ 13,5 bilh\u00f5es anuais. \u00c9 o que mostra [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1585,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1577","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sinduscon-rr.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1577","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sinduscon-rr.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sinduscon-rr.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinduscon-rr.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinduscon-rr.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1577"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sinduscon-rr.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1577\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1583,"href":"https:\/\/sinduscon-rr.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1577\/revisions\/1583"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinduscon-rr.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1585"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sinduscon-rr.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1577"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinduscon-rr.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1577"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinduscon-rr.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1577"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}